Toda doença começa no intestino ?

E a saúde? ComeCa onde ?

 

Por Laura Leite, FDN

 

Nesta parte 1 da serie iremos explorar estas perguntas atravéz de:

- Entender por que o intestino é chamado segundo cérebro .

- Descobrir que nossos intestinos são muito mais antigos do que a própria espécie humana .

- Ter acesso a estudos científicos que expõem como a função intestinal está relacionada a maioria das doenças modernas.

A partir da Parte 2 desta serie vamos explorar as formas práticas para otimizar o nosso microbioma intestinal, que podemos aplicar em casa.

 

SAÚDE Intestinal parte 1

 

O bem básico - ESTRUTURA E FUNÇÃO DO INTESTINO:

Acima em rosa vemos o intestino delgado. A primeira parada de nutrientes depois da passagem pelo estômago.

As paredes internas sofisticadas do intestino delgado são semelhantes a nossa lingua, com papilas, ou micro microvilosidades, que aumentam a superfície de absorção dos nutrientes . Caso esticássemos essa membrana, a superfície seria igual a área a de uma quadra de tênis! A natureza criou um sistema perfeito aqui, concentrando  a máxima superfície de contato com os nutrientes no menor espaço possível .

Essa mucosa intestinal seleciona os nutrientes benéficos e lhes permite fluir para dentro da corrente sanguínea .

A área em cinza é o intestino grosso. As colônias de bactérias do intestino grosso digerem nutrientes que não foram digeridos até ali. Principalmente carboidratos. Outra função do intestino grosso é a remoção de água dos nutrientes, transformá-los em fezes, e em seguida eliminá-los.

Qual é a importância do intestino?

Cerca de 75% do sistema imunológico está localizado no intestino, porque o tecido linfático está, como uma teia, entrelaçado dentro das paredes intestinais.

Quando a eliminação não está ocorrendo regularmente uma alteração do pH para menos ácido ocorre no ambiente intestinal. Isto enfraquece o sistema imunológico e faz com que todo o corpo fique vulnerável a agentes patogênicos e radicais livres. Mal funcionamento do intestino grosso também pode ser causado por:

- Flora desequilibrada devido a uso antibióticos.

- Uma dieta pobre em fibras insolúveis.

- A falta de carboidratos em geral.

Os fatores acima contribuem para diminuição da fermentação, deixando o ambiente vulnerável ao ataque de bactérias nocivas.

A flora, ou microbiota intestinal, desequilibrada tem efeitos imediatos sobre o cérebro, sobre o sistema imunológico e hormônios como explicaremos adiante.

Nossa microbiota intestinal nos foi dada principalmente através do contato com a nossa mãe durante o parto e amamentação. Há evidências de que a flora adquirida durante a infância determina vários aspectos da nossa saúde, como por exemplo a protecção contra infecções, susceptibilidade à obesidade quando adultos e condições psico-emocionais.

Uma flora desequilibrada tambem é relacionada com a diabetes, e processos inflamatórios do cérebro, tais como o autismo, Alzheimer, Parkinson e doenças auto-imunes.

Além disso, cerca de 80% da nossa serotonina é produzida no intestino. A serotonina é o neurotransmissor fundamental para o nosso humor, comportamento social, o apetite, a digestão, sono, memória e desejo sexual.

Nosso segundo cérebro? REALMENTE?

Pense em linhas entrelaçadas como uma rede, permeando o aparelho digestivo, desde a boca até o ânus. Essa rede é feita de neurônios e é chamada de Sistema Nervoso Entérico .

O SNE existia muito antes da origem da raça humana. Nossa espécie tem de cerca de 2 milhões de anos, enquanto os circuitos entéricos existiam 500 milhões de anos atrás, até mesmo dentro de invertebrados! O SNE é muito mais antigo do que o cérebro, e é extremamente sofisticado. O SNE se comunica com o sistema nervoso central através do nervo vago, abaixo em amarelo:

O nervo vago, origina-se na região da nuca. Ele controla movimentos involuntários dos nossos órgãos vitais, como o coração, pulmões, fígado e intestinos. Cerca de 80% a 90% da energia produzida pelo cérebro é enviada para região onde o o nervo vago origina-se.

Recentemente, o sistema nervoso entérico tem sido chamado de "segundo cérebro", devido à descoberta de que cerca de 90% das mensagens que passam através do nervo vago são provenientes do intestino e vão em direção ao cérebro, e não o contrário!

A descoberta da sofisticação e a inteligência do intestino tornou-se um novo paradigma para os cientistas e um alerta para os profissionais de saúde. Este artigo 1 e este estudo 2 ilustram isso.

Como a conexão Intestino-cérebro ACONTECE? EM TERMOS SIMPLES:

·      Todos os nutrientes que são selecionados na altamente sofisticada parede intestinal vão para a corrente sanguínea.

·      Estes nutrientes modulam o sistema imunológico, que está, como uma rede, dentro da mucosa intestinal.

 ·      Este processo, e os nutrientes filtrados enviam mensagens para o cérebro através do nervo vago.

·      Hormônios são então regulados.

·      Nutrientes filtrados inteligentemente pelo intestino passam através da barreira sangue-cérebro.

·      O cérebro recebe moléculas benéficas ou inflamatórias (citoquinas inflamatórias) que foram filtrados na parede do intestino.

·      O cérebro também recebe impulsos nervosos do intestino através do nervo vago, que pode trazer vitalidade, homeostase e harmonia, ou estresse, agitação e inflamação.

No caso de inflamação, o cérebro responde criando um ciclo vicioso:

·      Uma inflamação de baixo grau é criada no cérebro.

·      Ela é retransmitida pelo nervo vago de volta para o intestino que por sua vez reflete de volta ao cérebro.

Este processo explica porque condições psiquiátricas ocorrem simultaneamente a distúrbios digestivos e vice-versa!

Alguns estudos ilustrando os fatos acima:

Estudo 3 documenta que entre 50 e 90% dos pacientes com Síndrome do Colon Irritável (SCI) também sofrem de distúrbios psiquiátricos.

Estudo 4 observa a eficácia de drogas "anti-depressivas" na melhoria da Síndrome do Colon Irritável.

Estudo 5 monitorou indivíduos por 12 anos. Ele mostra que o stress psicológico pode prever o início de uma desordem gastrointestinal e vice-versa.

Estudo 6 conclui que a microbiota intestinal desequilibrada em crianças é fator-chave para prever se elas serão obesas quando adultas.

Estudo 7 observa que o apêndice não é apenas um órgão mantido como resíduo evolutivo. Ali existe uma confluência de vários tecidos linfáticos, intimamente relacionada com o sistema imunológico. O apêndice oferece proteção contra contaminantes patológicos encontrados no fluxo fecal.

Estudo 8 mostra como pequenas quantidades de glúten agrava sintomas como falta de memória, confusão mental, depressão e distensão abdominal. Os participantes foram pessoas que não têm doença celíaca, ou alergia ao glúten. Portanto, eram como a maioria de nós!

Estudo 9 elabora sobre o impacto do ph mais e menos acido do microbioma. É um alerta para aqueles que consomem quantidades insuficientes de carbohidratos, ou fibras insolúveis para alimentar o microbioma. Menos fermentação, ou menos acidez, deixa-nos vulneráveis às bactérias nocivas. Bastante relevante para a importância da ingestão de carbohidratos diariamente para a formação da massa fecal e a eliminação regular.

Fiquem ligados a Parte 2, onde vamos ressaltar a importância do sono para aumentar a saúde do microbioma intestinal.

Saúde!

Laura Leite, Certified FDN, KRESSER Institute Trainee

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Laura Leite é credenciada em Functional Diagnostic Nutrition e irá graduar no Outono de 2017 no KRESSER INSTITUTE de Medicina Funcional, é Personal Trainer e Instrutora de Pilates.  Instagram

~ Este artigo contém informações gerais sobre nutrição e manejo do estresse somente. Não deve ser usado como receita médica, nem para substituir conselhos ou recomendações médicas, na prevenção ou tratamento de qualquer condição diagnosticada ou qualquer problema de saúde. ~

 

* Laura publicou uma versão mais longa deste texto no lindo site de Flora Refosco "What is in for today". Você pode visitar o site da Flora aqui.

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